Material do poço Morpho, a 175 km da costa amapaense, será examinado em laboratório de pressão, volume e temperatura. Viabilidade comercial ainda não foi declarada.
A Petrobras enviou ao Rio de Janeiro a primeira amostra de petróleo retirada do poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. O material será analisado no Centro de Pesquisas da companhia (Cenpes) para identificar composição, contaminantes e comportamento termodinâmico do fluido — o que executivos da estatal chamam de “DNA” do óleo.
Segundo o gerente-geral de águas ultraprofundas da Petrobras, Fábio Passarelli, em entrevista à Reuters reproduzida pelo g1, o transporte é feito por caminhão, com logística especial e esquema de segurança. O percurso até a capital fluminense deve levar cerca de três semanas. “É uma amostra que não pode se perder porque vale ouro. Se perder essa, não tem outra”, disse.
No Cenpes, a primeira bateria ocorre no laboratório de Pressão, Volume e Temperatura (PVT), usado nas descobertas iniciais. Os testes medem propriedades básicas do fluido. Não substituem, sozinhos, a estimativa de volume nem a declaração de comercialidade.
A presença de hidrocarbonetos no Morpho foi anunciada em 14 de agosto. Dias depois, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que há petróleo, mas que a companhia ainda não sabe quanto. O poço (1-BRSA-1405-APS) fica a cerca de 175 km da costa do Amapá, em lâmina d’água de 2.886 metros, no bloco FZA-M-59, operado 100% pela estatal.
A companhia liga a campanha na Margem Equatorial à recomposição de reservas, com declínio da produção do pré-sal projetado a partir de 2034. Após o Morpho, prevê outros poços no mesmo bloco e em áreas adjacentes — parte deles depende de licenciamento no Ibama. Ainda não há prazo público para fechar volume ou viabilidade.
O avanço na Foz do Amazonas permanece um dos maiores impasses socioambientais do país. Cientistas e organizações ambientais apontam risco a recifes amazônicos, manguezais, pesca artesanal e territórios tradicionais, além de tensionar metas climáticas. A Petrobras afirma cumprir os protocolos exigidos pela legislação ambiental. Esta reportagem registra as duas versões; não há, nas fontes consultadas, decisão judicial nova sobre o envio da amostra.
Descoberta exploratória não é reserva comercial. Enquanto o Cenpes não concluir a caracterização do fluido e novos poços não delimitarem o reservatório, o que existe é óleo em análise — não produção autorizada.