Após reconciliação, Michelle e Flávio Bolsonaro tentam virar a página de crise às vésperas de convenção do PL

Troca pública de acenos e pedido de desculpas acalmam bastidores do partido na reta final para a definição de candidaturas. Trégua familiar busca estancar desgastes e blindar a pré-campanha presidencial de Flávio.

Por Redação

24 de julho de 2026

A menos de 48 horas da Convenção Nacional do Partido Liberal (PL), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fecharam um acordo público de reconciliação para conter uma das crises internas mais ruidosas vivenciadas pelo bolsonarismo nos últimos meses. Após o senador divulgar um vídeo com pedido formal de desculpas, Michelle respondeu sinalizando o aceite e defendendo a necessidade de o grupo político caminhar unido na disputa pela Presidência da República em 2026.

A trégua ocorre no momento em que a cúpula do PL, chefiada por Valdemar Costa Neto, intensificava a “operação abafa” para evitar que o racha familiar se desdobrasse em palanques divididos durante o evento nacional da legenda.

As origens do atrito: o estopim no Ceará

O desentendimento entre enteado e madrasta vinha se acumulando há semanas e ganhou contornos públicos no final de junho. O principal estopim foi a articulação de alianças regionais, com destaque para a disputa no Ceará:

  • Impasse regional: Michelle manifestou forte oposição à decisão do PL de integrar o arco de alianças do ex-governador Ciro Gomes ao Governo do Estado.
  • Exposição pública: A ex-primeira-dama chegou a publicar vídeos relatando ter sido humilhada e destratada por Flávio após discordar publicamente dos rumos da estratégia cearense, gerando incertezas sobre sua permanência à frente do PL Mulher e sobre sua pré-candidatura ao Senado pelo Distrito Federal.

O embate passou a comprometer a imagem de unidade que o partido tenta transmitir, além de desviar o foco da pré-campanha de Flávio ao Planalto em um momento de articulação crucial por alianças do Centrão.

Operação abafa e alívio na cúpula do PL

Diante do risco de esvaziamento do eleitorado feminino e evangélico — segmentos em que Michelle exerce papel de forte liderança —, figuras do partido, como a senadora Damares Alves, atuaram diretamente como ponte entre os dois lados.

No vídeo republicado nesta quinta-feira (23), Flávio reconheceu os excessos e os desgastes gerados pelo atrito, apelando pela união da família e do partido. Michelle, por sua vez, aceitou o gesto e sugeriu uma conversa reservada para “ajustar os detalhes”, permitindo que o PL chegue à convenção com o discurso de coesão restaurado.

Cronologia da crise e pacificação
Fim de junho: Michelle expõe publicamente insatisfação com Flávio por divergências em alianças locais (Ceará).
Início de julho: Articuladores do PL e aliadas do PL Mulher entram em cena para evitar renúncia de Michelle.
23 de julho: Flávio divulga pedido público de desculpas; Michelle aceita a reaproximação.
25 de julho: Convenção Nacional do PL homologa diretrizes para o pleito de 2026 sob clima de trégua.

Os desafios no horizonte do PL

Apesar do alívio trazido pela trégua, analistas e interlocutores dos bastidores apontam que o desafio de Flávio Bolsonaro vai além da pacificação familiar. Às vésperas da oficialização das chapas, o senador enfrenta resistências para atrair legendas como PP e União Brasil para uma coligação formal, ao mesmo tempo em que precisa definir o nome que ocupará a vaga de vice em sua chapa.

Para a cúpula do partido, a presença de Michelle nos palanques nacionais é considerada indispensável para mobilizar a militância e sustentar a imagem do bolsonarismo durante a corrida eleitoral de 2026.

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