Marcos Roberto Cebola e Silva nega ter intimidado o magistrado; inquérito policial tramita sob sigilo
Um vídeo de audiência judicial envolvendo acusados de integrar o Primeiro Comando da Capital (PCC) repercutiu nas redes sociais e no noticiário após uma declaração do advogado Marcos Roberto Cebola e Silva ser interpretada pelo juiz como possível ameaça de morte.
O episódio ocorreu em 16 de outubro de 2025, na 3ª Vara da Comarca de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. O magistrado Deyvison Heberth dos Reis presidia a sessão. Cebola e Silva atuava na defesa de clientes processados por participação em setores da facção e pedia a revogação das prisões preventivas.
Segundo o relato do juiz à Polícia Civil de São Paulo, o advogado afirmou, ao final da audiência: “Diante do que se apurou hoje, com a devida vênia, pela graça de Deus, sob a proteção de Deus, se o senhor não revogar essas prisões, eu temo o senhor não adentrar ao ‘elísio’.”
O juiz interrompeu a fala, perguntou se se tratava de uma ameaça e questionou o significado de “elísio”. Cebola e Silva negou qualquer intenção de intimidação e explicou que a palavra se referia ao paraíso, argumentando que todos morrerão um dia e que a questão era o destino espiritual. O magistrado, no entanto, entendeu a declaração como ameaça de morte caso não revogasse as prisões.
Deyvison Heberth dos Reis declarou que, em quase 20 anos de carreira e após julgar diversos processos relacionados ao PCC, nunca havia ouvido uma frase semelhante. O episódio motivou a abertura de inquérito policial, que tramita sob sigilo judicial.
Antes da fala sobre o “elísio”, o advogado havia feito referência ao ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes, assassinado a tiros cerca de um mês antes e conhecido pelo enfrentamento à facção. O juiz considerou a sequência de declarações como tentativa de intimidação.
Marcos Roberto Cebola e Silva ganhou projeção pública ao publicar, nas redes sociais, uma série de vídeos questionando investigações e provas relacionadas à prisão da influenciadora e advogada Deolane Bezerra. Ele também protocolou notícias de fato em órgãos de controle, pedindo apuração independente.
Reportagens recentes do Metrópoles apontam ainda que o advogado aparece ligado à ONG Pacto Social & Carcerário, entidade que o Ministério Público de São Paulo descreve como braço operacional do PCC. Fontes policiais e documentos de processos mencionam vínculos, inclusive reconhecimento do próprio Cebola e Silva em fotografia de reunião analisada em audiência. O advogado não figura formalmente como fundador da entidade nos autos consultados.
O caso reacende debates sobre os limites da atuação da defesa em processos de crime organizado, a segurança de magistrados e o conteúdo exato das declarações feitas em audiência. Até o momento, não há informação pública sobre conclusão do inquérito ou eventual denúncia.
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