Levantamento da pesquisa TIC Governo 2025 revela que 59% das instituições públicas federais e estaduais já adotam IA. Automatização de tarefas repetitivas e análise de textos são os principais focos de aplicação no país.
Por Redação
Publicado em 24 de julho de 2026
O Poder Judiciário consolidou-se como o segmento do setor público brasileiro que mais incorpora ferramentas de inteligência artificial (IA) em suas rotinas. Segundo dados da pesquisa TIC Governo 2025, divulgada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), 94% dos órgãos ligados ao Judiciário declararam utilizar a tecnologia em suas operações.
O número coloca o Judiciário à frente do Poder Legislativo (83%) e do Poder Executivo (55%). O Ministério Público também registrou índices elevados, com presença de IA em 92% de suas instituições. No panorama geral, a tecnologia já faz parte da realidade de 59% dos órgãos públicos federais e estaduais do país.
Onde a IA está sendo aplicadas?
A prioridade da administração pública tem sido a eficiência operacional e a triagem de volume. Entre os órgãos que utilizam a tecnologia, as principais funções declaradas são:
- Automatização de processos e fluxos de trabalho: 39% (chegando a 45% na esfera federal).
- Mineração de textos e análise de linguagem: 35%.
- Aprendizagem de máquina para predição e análise de dados: 31%.
Enquanto o uso de IA avança em ritmo acelerado, outras tecnologias emergentes ainda caminham em passos mais lentos no setor público: o blockchain é adotado por 25% dos órgãos federais (e 17% dos estaduais), enquanto a Internet das Coisas (IoT) está presente em 20% das instituições federais e 29% das estaduais.
O abismo entre grandes capitais e pequenos municípios
A pesquisa analisou pela primeira vez a adoção de IA na gestão municipal, revelando uma forte desigualdade regional e de porte. Em termos gerais, 27% das prefeituras brasileiras afirmam utilizar a tecnologia.
No entanto, nos municípios com mais de 500 mil habitantes, a taxa salta para 85%, e nas capitais atinge 81%. Já nas cidades de pequeno porte (com até 10 mil habitantes), o índice cai para apenas 22%. Nas prefeituras, o uso foca na melhoria do atendimento direto ao cidadão (17%), apoio a políticas públicas (14%) e fiscalização de recursos públicos (10%).
O avanço dos canais digitais de atendimento também se refletiu no uso do WhatsApp e Telegram pelas prefeituras: 64% dos municípios já utilizam aplicativos de mensagens para solicitações de serviços, tornando-se o segundo canal mais popular, atrás apenas do telefone fixo (83%).
Capacitação de pessoal ainda é o principal gargalo
Apesar da expansão, a falta de treinamento surge como a barreira mais relevante para a consolidação da tecnologia no setor público. O problema foi apontado como o principal obstáculo por 40% das prefeituras, 21% dos órgãos estaduais e 19% dos federais.
No caso dos municípios, a falta de verba (34%), a ausência de prioridade governamental (36%) e problemas com a qualidade dos dados disponíveis (35%) também figuram entre os maiores entraves.
Na esfera federal, onde 65% dos órgãos já possuem iniciativas ativas de IA generativa para uso interno, a preparação das equipes tem sido priorizada: 59% das instituições oferecem cursos de capacitação, 46% contrataram softwares específicos e 43% criaram manuais e diretrizes para orientar o uso ético e seguro por parte dos servidores.
Sobre o estudo: Realizada a cada dois anos pelo CGI.br, a pesquisa TIC Governo mapeia a infraestrutura e o uso de tecnologias da informação no setor público brasileiro. A coleta de dados da edição 2025 foi concluída em abril de 2026, ouvindo 576 órgãos públicos federais e estaduais, além de 3.253 prefeituras.





