ÉN- Governador, é verdade que o senhor desistiu da candidatura ao Senado pelo MDB?
“Quero cuidar da minha vida.” Sim, confirmo: não serei mais candidato ao Senado Federal neste ano. Sei que a notícia acabou vazando antes de eu poder comunicar com calma a quem eu queria, mas é verdade e é definitivo.
ÉN- Essa decisão é mesmo irrevogável, ou pode mudar até o prazo de registro das candidaturas?
É irrevogável. Não é uma pausa para pensar melhor, é uma decisão tomada.
ÉN- O que o levou a essa decisão? Foi algo pontual ou um acúmulo de fatores?
Reconheço que estou magoado com algumas situações que se estabeleceram ao longo da discussão sobre alianças, sobre o meu próprio partido e sobre a minha candidatura. Não foi uma coisa só. Mas quero deixar claro que continuo achando que a política é o melhor caminho para resolver os problemas das pessoas — talvez não haja outro. Ainda assim, decidi que, para me preservar e descansar, não vou disputar o voto em Brasília este ano.
ÉN- Onde o senhor está agora e o que pretende fazer a partir de hoje?
Estou na minha fazenda no Piauí, tirei uns dias para refletir. A partir de agora, vou me dedicar ao meu escritório de advocacia, que é de onde tiro meu ganha-pão, e a cuidar dos meus filhos.
ÉN- Isso significa que o senhor está saindo de vez da vida política?
Não. Amo a política, não tenho como simplesmente me desligar desse processo. Não estou fechando a porta, só não serei candidato agora.
ÉN- O senhor já sabe em quem vai votar para o Senado, já que não vai mais ser candidato?
Prefiro não adiantar esse caminho agora. O que posso garantir é que não vou apoiar candidatura de esquerda — e deixo claro que isso inclui não apoiar, por exemplo, a senadora Leila Barros, a Leila do Vôlei.
ÉN- Como o senhor avalia o impacto da sua saída para o cenário eleitoral do Senado pelo DF, já que aparecia como o segundo colocado nas pesquisas, atrás de Michelle Bolsonaro?
Sei que isso muda o tabuleiro. Eu vinha em segundo lugar em praticamente todas as pesquisas, atrás da Michelle. Com a minha saída, e com a possibilidade que se comenta nos bastidores de que ela também pode desistir por causa da crise com o enteado, candidato à Presidência, o cenário fica bem mais aberto. Não sei dizer quem sai ganhando com isso.
ÉN- Uma última pergunta: o que o senhor diria aos eleitores que contavam com o seu nome nessa eleição?
Peço compreensão. Foi uma decisão difícil, tomada com muita mágoa, mas pensando na minha família e na minha saúde emocional neste momento. Continuo por perto, na política e na vida pública do Distrito Federal, só não como candidato agora.
Rocha afima voltar da sua fazenda no Piauí final do mês de julho pós Exposição de Corrente. Evento do agro que movimenta o “matopiba”.





