Pular para o conteúdo
Sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Menu

PF deflagra Operação Terra Arrasada contra fraude em licitações de máquinas pesadas

Por IveliseMaia
Publicado em 27/08/2026 às 19:28

Grupo é suspeito de simular concorrência e inflar preços. Contratos somam mais de R$ 406 milhões; prejuízo apontado à União é de cerca de R$ 14 milhões.

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (27/08) a Operação Terra Arrasada para investigar um esquema de fraude em licitações para a venda de máquinas pesadas de terraplenagem a órgãos públicos. Segundo a PF, as irregularidades envolvem preços acima do mercado, pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos e lavagem de dinheiro.

A nota oficial, expedida pela superintendência em Santa Maria (RS), afirma que um grupo empresarial atuava por meio de empresas formalmente independentes, mas controladas pelos mesmos responsáveis. Essas empresas, segundo a apuração policial, simulavam concorrência, apresentavam propostas combinadas e usavam adesões a atas de registro de preços para reduzir a disputa e manter valores elevados. O esquema teria alcançado centenas de municípios gaúchos.

Entre 2017 e 2026, as empresas investigadas firmaram contratos com o poder público que somam mais de R$ 406 milhões para a venda de 724 máquinas. Cerca de 40% desse total corresponde a contratos financiados com recursos federais. Esse montante descreve o volume contratado no período, e não o valor já comprovado como prejuízo. A Justiça Federal determinou o sequestro de imóveis e dos veículos apreendidos até o limite de aproximadamente R$ 14 milhões, cifra que a PF apresenta como o prejuízo apurado em desfavor da União.

O que a Justiça autorizou
Foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão: oito em Venâncio Aires, um em Santa Cruz do Sul, um em Lajeado, um em Canoas e um em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, além de um em Jacareí, no interior de São Paulo. A PF informou a apreensão de oito veículos de luxo, telefones celulares e documentos.

A Justiça também suspendeu o direito de três empresas investigadas de participar de novas licitações e de firmar contratos com a Administração Pública federal, estadual e municipal. A medida é cautelar e vale enquanto dura a apuração.

Os investigados poderão responder, segundo a PF, por frustração do caráter competitivo de licitação, corrupção ativa, organização criminosa e lavagem de capitais. Não há, na nota oficial, informação sobre prisões.O que a coluna apurou sobre a GRA Máquinas A coluna de Mirelle Pinheiro, no Metrópoles, e o g1 RS informaram que a GRA Máquinas, de Venâncio Aires, representante da fabricante chinesa XCMG no Rio Grande do Sul, está entre as empresas investigadas. A nota pública da Polícia Federal não cita nomes de empresas. Até a publicação desta matéria, não foi localizada manifestação oficial da GRA Máquinas nem da XCMG.

A GRA Máquinas se apresenta, em seu site, como representante oficial da XCMG no estado, com sede comercial em Venâncio Aires. A XCMG é fabricante de máquinas de construção; a investigação descrita pela PF recai sobre o grupo empresarial que comercializava equipamentos ao poder público, e não, até aqui, sobre a fabricante em si.

A coluna relatou ainda a apreensão de dinheiro em espécie, em reais, euros e dólares. Esse detalhe não consta da nota oficial da PF consultada.

A operação está em fase de cumprimento de medidas cautelares e coleta de provas. Presunção de inocência se aplica a pessoas físicas e jurídicas investigadas até eventual denúncia e julgamento.