O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes autorizou, nesta terça-feira (11 de agosto de 2026), a realização de busca e apreensão contra o ex-secretário de Estado do Maranhão Raimundo Cutrim. A decisão aponta Cutrim como a fonte do jornalista Luís Pablo em reportagens que trataram do uso de veículos oficiais pelo ministro Flávio Dino e familiares.
A medida foi solicitada pela Polícia Federal e recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República, conforme confirmado pela assessoria do STF e pelo advogado de Cutrim, José Berilo de Freitas Leite.
Segundo a defesa, o mandado baseou-se na análise dos aparelhos telefônicos do jornalista Luís Pablo, apreendidos em março deste ano. Na ocasião, o jornalista havia sido alvo de operação após publicar reportagens sobre o uso de viaturas do Tribunal de Justiça do Maranhão por Flávio Dino e parentes. O advogado de Luís Pablo também foi alvo de busca e apreensão nesta terça-feira.
Em nota oficial, a defesa de Raimundo Cutrim informou que ainda não teve acesso aos autos dos processos, tanto das operações anteriores quanto da atual. O texto destaca que as ações desta data se referem às notícias divulgadas por Luís Pablo sobre o uso irregular de viaturas oficiais, denúncias que, segundo a defesa, permanecem sem apuração. A nota reforça que a decisão foi expedida por Alexandre de Moraes em atendimento a denúncia formulada pelo ministro Flávio Dino.
Quem é Raimundo Cutrim
Raimundo Cutrim é delegado aposentado da Polícia Federal, ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão e ex-deputado estadual. Ele atuou como secretário de Estado na gestão do governador Carlos Brandão e é reconhecido como adversário político de Flávio Dino. Atualmente, Cutrim cumpre prisão domiciliar determinada anteriormente pelo próprio ministro Dino em outro inquérito, sob suspeita de obstrução de Justiça.
Contexto das reportagens
As reportagens de Luís Pablo, publicadas a partir de novembro de 2025, questionavam o uso de veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por Flávio Dino e familiares. Aliados do ministro afirmaram à imprensa que o carro particular de Dino estava sendo seguido e que o jornalista teria solicitado pagamento para publicar as matérias. Luís Pablo negou as acusações, sustentando que o uso do veículo oficial é fato comprovado e que nunca recebeu valores para as publicações.





