A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Tocantins (OAB/TO) aplicou, por decisão da Diretoria, do Conselho Seccional e do presidente do Tribunal de Ética e Disciplina (TED), a suspensão cautelar da inscrição profissional do advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa. A medida foi anunciada após a prisão do profissional, suspeito de envolvimento na morte de seu filho, Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos.
O menino foi encontrado sem vida na residência do pai, em Palmas (TO), na segunda-feira, 3 de agosto de 2026. Igor Gustavo Veloso de Sousa, de 33 anos, e a companheira Kathellen Moreira, de 23 anos, foram presos na madrugada de quinta-feira, 6 de agosto, por determinação judicial.
Circunstâncias da morte e investigação
Segundo a versão inicialmente apresentada à Polícia Civil, o menino teria se afogado na piscina da residência no domingo, 2 de agosto. O pai afirmou ter prestado os primeiros socorros e que só comunicou o óbito na tarde do dia seguinte, alegando abalo emocional.
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) de Palmas, no entanto, descartou indícios de afogamento. O diretor do IML, Eduardo Godinho, declarou que o corpo apresentava “muita violência”, com sinais na face e internamente, e que a causa da morte decorreu de outro tipo de trauma.
O delegado Eduardo Menezes, responsável pelo caso na 1ª Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), afirmou que os elementos reunidos indicam lesões graves nas regiões anal e intestinal ocorridas em contexto de violência extrema, utilizadas como instrumento de tortura. A tipificação dos crimes ainda pode ser ajustada conforme novas perícias. O pai responde por tortura e homicídio duplamente qualificado; a madrasta é investigada por omissão.
Posicionamento da OAB/TO
Em nota oficial de 5 de agosto de 2026, a OAB/TO informou:
“A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Tocantins (OABTO) informa que, por decisão da Diretoria, do Conselho Seccional e do Presidente do Tribunal de Ética e Disciplina (TED), foi aplicada medida institucional de suspensão cautelar ao advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa, nos termos do Estatuto da Advocacia e da OAB (Lei nº 8.906/94).
A medida possui natureza cautelar e permanecerá vigente até instauração e análise do respectivo procedimento disciplinar no TED, assegurados ao representado o contraditório, a ampla defesa e o devido processo legal.
A OAB Tocantins reafirma seu compromisso com os princípios históricos que regem o exercício da profissão e a atuação da OAB.”
A nota é assinada pelo presidente Gedeon Pitaluga Júnior e pelo presidente do TED, Fábio Alves Fernandes.
Defesas e histórico
A defesa de Igor Gustavo Veloso de Sousa afirmou que ele se apresentou voluntariamente para o cumprimento do mandado de prisão e que colabora com as investigações desde o início. A defesa de Kathellen Moreira contestou a prisão preventiva, destacando que ela é mãe de uma bebê de cinco meses ainda em fase de amamentação.
Os pais da criança não viviam juntos e mantinham disputa judicial. A defesa da mãe, Sabrina da Silva Feitosa, relatou que o menino já retornava com machucados dos períodos de convivência e que ela temia denunciar por ameaças anteriores. Em 2023, Igor Gustavo Veloso de Sousa, então presidente do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/TO, foi afastado do cargo após denúncia de ameaças de morte à mãe da criança.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil do Tocantins.





