Documentos enviados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apontam que o fundo Eagle Eye Investments, inserido na rede de fundos investigada no caso Banco Master, informou deter participação acionária avaliada em R$ 113,7 milhões na FRBS Participações S.A., empresa que detém o licenciamento da marca Forbes no Brasil.
A participação correspondia, segundo os registros analisados, a mais de 90% do patrimônio líquido do fundo até 2025. O Eagle Eye tinha como cotista único o fundo Astralo 95, citado nas investigações da Polícia Federal relacionadas à Operação Compliance Zero.
A FRBS Participações é a controladora da Forbes Brasil. Nos registros da Junta Comercial do Estado de São Paulo, constam apenas Antonio Camarotti (CEO e publisher) e Katarina Camarotti (diretora-executiva) como titulares de 100% das ações.
Posicionamento da empresa
Procurada, a FRBS/Forbes Brasil negou qualquer vínculo. Em nota, Katarina Camarotti afirmou que “a FRBS/Forbes BR não tem nem nunca teve qualquer sócio/acionista para além de Antonio Camarotti e Katarina Camarotti. Tampouco há qualquer pessoa ou entidade com direito a deter participação na nossa empresa”.
A empresa também declarou desconhecer os documentos registrados na CVM e classificou as informações como incorretas.
Divergência documental
Há inconsistência entre o que foi declarado pelo fundo à CVM e o que consta na Junta Comercial. Documentos da autarquia, incluindo demonstrações financeiras, apontam a participação do Eagle Eye. Os registros societários da Junta não mencionam o fundo.
O Eagle Eye era administrado pela Reag Investimentos, gestora que também figura nas investigações do caso Master e que teve sua liquidação determinada pelo Banco Central em janeiro de 2026.
A reportagem original sobre os documentos foi publicada pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. As informações foram confirmadas e detalhadas por Estadão e Folha de S.Paulo em junho de 2026.
Contexto do caso Master
O Banco Master foi colocado em liquidação extrajudicial pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025. Seu controlador, Daniel Vorcaro, é alvo de investigações da Polícia Federal por suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo a emissão e venda de carteiras de crédito e a estruturação de fundos. A Operação Compliance Zero apura a teia de veículos de investimento ligados ao grupo.
Até o momento da publicação desta matéria, não há informação oficial da CVM ou da Justiça que confirme a efetiva titularidade das ações da FRBS pelo fundo ou por pessoas ligadas a Vorcaro além do que consta nos documentos enviados à autarquia.





