Papéis da alemã Lufthansa e da dona da British Airways afundam mais de 10%, com receio de limitações a viagens
As ações de empresas aéreas e de companhias do setor de turismo despencam nesta segunda-feira, com a intensificação do conflito no Oriente Médio. Ao menos 1.555 voos foram cancelados na região hoje, ampliando os números registrados no fim de semana. Considerando os cancelamentos desde sábado, quando a guerra no Irã começou, já são 7.511 decolagens desmobilizadas, o maior caos aéreo desde a pandemia, de acordo com o jornal britânico The Guardian.
No sábado, quase 2.800 voos foram cancelados. No dia seguinte, mais 3.156 partidas foram suspensas, de acordo com a plataforma de monitoramento FlightAware. Nesta segunda-feira, os dados foram compilados por analistas da consultoria de aviação Cirium e consideram os registros até 10h (no horário local). A empresa alerta que os números podem ser mais altos, pois há dificuldade de acesso a dados do Irã e dos Emirados Árabes Unidos.
Vários aeroportos da região do Golfo ficaram sob fogo cruzado quando o Irã lançou mísseis em resposta ao ataque inicial de sábado pelas forças aéreas de Israel e dos Estados Unidos. Por isso o espaço aéreo de países do Oriente Médio foi fechado, como o dos Emirados Árabes, que abriga o Aeroporto de Dubai, maior hub da aviação mundial.
A Emirates, a maior companhia aérea internacional do mundo, suspendeu as operações regulares de e para Dubai até as 15h (horário local) de terça-feira e alertou para interrupções até quinta-feira.
A Etihad Airways informou que estendeu os cancelamentos até as 15h de terça-feira, enquanto a Qatar Airways declarou que os voos de e para Doha foram suspensos devido ao fechamento do espaço aéreo do Catar.
As interrupções se espalharam pela Ásia. A Cathay Pacific cancelou alguns serviços para o Oriente Médio até quinta-feira. Na Índia, as suspensões de decolagens da IndiGo foram estendidas até terça-feira.
Com o caos aéreo, as ações das empresas aéreas afundam nos principais mercados, diante da preocupação de que o conflito freie as viagens justamente quando o setor se aproxima do crucial período de verão.
A Lufthansa chegou a cair até 11%, e a controladora da British Airways, International Airlines Group, recuou até 13%. Já á Air France-KLM perdeu 10% nas primeiras horas do pregão, segundo a Bloomberg.
Também houve queda forte dos papéis de empresas do setor de viagens. As ações da TUI, a maior empresa do segmento na Europa, caíam 8,5%. A rede hoteleira Accor e a empresa de cruzeiros Carnival Corporation também registram fortes quedas.
A autoridade de aviação civil dos Emirados Árabes Unidos informou que atendeu mais de 20 mil passageiros afetados pela interrupção. Dezenas de milhares de pessoas ficaram retidas em uma região que funciona como um superconector global, ligando quaisquer dois pontos do planeta com apenas uma escala.
Embora o Golfo Pérsico já esteja acostumado a interrupções — com os céus de amplas áreas do Oriente Médio enfrentando restrições em diversas ocasiões nos últimos dois anos — uma suspensão total nessa escala não tem precedentes.
Fonte: Infomoney





