Presidente do Banco de Brasília descarta risco de liquidação e diz que instituição é mais forte hoje do que quando foi deflagrada a operação da PF
O banco estatal de Brasília BRB pode não precisar de aporte de capital do seu acionista controlador, o governo do Distrito Federal, a depender do desfecho do processo de venda de ativos recebidos pelo Master em substituição à carteira de crédito que tinha indícios de fraude, segundo avaliação feita ao GLOBO pelo presidente da instituição financeira, Nelson de Souza.
As operações investigadas pelo Banco Central (BC) e pela Polícia Federal envolvem a compra pelo BRB de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Master que teriam sido fraudadas. O banco de Daniel Vorcaro devolveu R$ 10 bilhões em ativos, após o alerta do BC.
Esses ativos foram registrados pelo BRB com desconto em relação ao seu valor original. O efeito prático disso é que, ao se desfazer desses bens, o banco de Brasília poderá levantar valor maior do que a perda que teve até agora.
O resultado, porém, dependerá das operações de vendas a serem executadas pelo banco estatal e uma empresa contratada, cujo rendimento estará atrelado a uma “taxa de sucesso”. Esse processo de venda de ativos está começando nessa semana e deve prosseguir pelas próximas. Na composição desses bens e direitos que o BRB quer vender, segundo Souza, 60% referem-se a carteiras de crédito de varejo, 24% são de fundos de investimento e 16% de carteira de crédito de atacado.
Reserva de R$ 2,6 bi
É por isso que, a despeito de o BC ter alertado para a possibilidade de se fazer um provisionamento de R$ 2,6 bilhões, o banco divulgou ontem um fato relevante explicando que ainda é prematuro falar nisso. Como O GLOBO noticiou na semana passada, os balanços do terceiro e quarto trimestres devem ficar prontos e serem entregues em março.
O Master vendeu ao banco público uma série de carteiras de crédito, que envolvem direitos sobre empréstimos, no valor de R$ 12,2 bilhões. Ao analisar as carteiras de crédito transferidas pelo Master ao BRB, o BC encontrou indícios de inconsistências e fraudes. As duas instituições negam qualquer irregularidade, mas o Master apresentou outros ativos para o lugar das carteiras com problemas — o que agora está sob processo de venda.
O novo presidente do BRB, que assumiu em novembro a função de Paulo Henrique Costa, investigado na operação Compliance Zero, é bastante enfático em descartar risco de liquidação da instituição brasiliense, alvo de especulações após as liquidações do Master e do Will Bank, a subsidiária mais popular de Daniel Vorcaro.





