Ciro Gomes defende nova inserção internacional do Brasil em Conferência no I Congresso Sino-Lusófono de Direito Comparado

Coimbra, Portugal — 15/11/2025.

O advogado, economista e ex-ministro Ciro Ferreira Gomes protagonizou uma das conferências mais aguardadas do I Congresso Sino-Lusófono de Direito Comparado, realizado nesta sexta-feira pela Universidade de Coimbra em parceria com o Grupo Notorium.

Com o tema “Brasil e o Direito à Luz das Relações Internacionais”, Ciro apresentou um panorama crítico e profundo sobre a posição do Brasil no cenário geopolítico atual, destacando desafios, oportunidades e caminhos possíveis para recolocar o país em posição estratégica na transição global em curso.

A nova geopolítica e o espaço do Brasil

Na palestra, Ciro enfatizou que o mundo vive uma reconfiguração multipolar marcada pelo protagonismo crescente da China, o reposicionamento da União Europeia, e a disputa tecnológica entre grandes potências. Segundo ele, o Brasil precisa superar a condição periférica para ocupar um lugar compatível com seu potencial econômico, territorial e cultural.

“O Brasil tem todos os elementos para ser um ator global, mas permanece preso a disputas internas que o afastam da agenda estratégica do século XXI”, afirmou.

Direito, democracia e integração lusófona

Ciro também ressaltou o papel das instituições jurídicas e acadêmicas na construção de uma diplomacia qualificada. Ele elogiou o esforço intelectual do Congresso Sino-Lusófono ao aproximar tradições jurídicas da China, Portugal e países de língua portuguesa.

Para ele, a integração jurídico-acadêmica entre Brasil, Portugal e China fortalece não apenas a pesquisa comparada, mas abre portas para cooperação econômica e tecnológica em áreas como infraestrutura, energia verde e inovação regulatória.

Críticas ao isolamento e defesa de um Brasil conectado

Em seu tom característico, Ciro criticou a incapacidade histórica do país de formular uma política externa consistente e de longo prazo. Destacou que, enquanto o mundo disputa cadeias produtivas estratégicas e avança em inteligência artificial, o Brasil ainda patina em problemas que já deveriam estar superados.

“Não existe projeto nacional possível sem uma inserção inteligente no mundo”, concluiu.

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