Tecnologia usada na segurança da Expocrato 2026 é de empresa investigada em três estados e que busca apresentar sistema ao Governo do Ceará

A segurança da Expocrato 2026, realizada entre os dias 11 e 19 de julho, no Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcanti, no Crato, conta com sistema de videomonitoramento baseado em tecnologia da empresa Paladium Corp, atualmente denominada Pax. A utilização da plataforma ganha relevância porque a companhia, que acumula investigações, suspensões e questionamentos em contratos públicos nos estados de São Paulo, Paraná e Goiás, busca agora apresentar sua tecnologia ao Governo do Ceará por meio de uma Prova de Conceito (POC) — uma demonstração técnica destinada exclusivamente à avaliação do sistema, sem que isso represente contratação ou operação da empresa no Estado.

Atualmente, a Pax não possui operação de videomonitoramento em funcionamento no Ceará. O que existe é a intenção de realizar uma Prova de Conceito, procedimento utilizado para que gestores públicos conheçam o desempenho da tecnologia antes de qualquer eventual decisão administrativa.

A demonstração ocorre em um momento em que a empresa deixou de operar projetos que estiveram no centro de controvérsias em outras unidades da Federação, tornando a possível apresentação da tecnologia ao Ceará um tema acompanhado com atenção por especialistas em segurança pública, transparência administrativa e proteção de dados.

Expocrato utiliza tecnologia da Pax

Durante a Expocrato 2026, uma das maiores feiras agropecuárias e eventos culturais do Nordeste, o sistema de videomonitoramento empregado na segurança do evento utiliza tecnologia desenvolvida pela antiga Paladium Corp, hoje denominada Pax.

Embora a participação no evento seja distinta de eventual contratação para a segurança pública estadual, o uso da tecnologia coloca novamente a empresa em evidência justamente quando ela busca apresentar sua solução tecnológica ao Governo do Ceará por meio da fase de testes conhecida como Prova de Conceito.

Serviço é prestado gratuitamente na Expocrato como demonstração tecnológica

Segundo informações obtidas pela reportagem, a tecnologia disponibilizada pela Pax para a Expocrato 2026 está sendo fornecida sem custos para a organização do evento, caracterizando uma demonstração operacional da plataforma, semelhante ao modelo de Prova de Conceito (POC), utilizado para permitir que potenciais clientes avaliem o desempenho da solução antes de eventual negociação comercial.

O que é a Prova de Conceito

A Prova de Conceito (POC) consiste em uma demonstração operacional destinada a permitir que a administração pública avalie o desempenho de determinada solução tecnológica antes de decidir se há interesse em futura contratação.

Trata-se de uma etapa de avaliação técnica. Sua realização, por si só, não significa contratação da empresa nem implantação definitiva do sistema, mas pode subsidiar futuras decisões administrativas.

Contrato milionário é investigado em São Paulo

Em São Paulo, a antiga Paladium Corp é alvo de investigação conduzida pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) sobre contrato de R$ 475,8 milhões relacionado ao programa Muralha Paulista.

O procedimento apura possíveis irregularidades na contratação da tecnologia sem licitação.

Segundo representações apresentadas ao tribunal pelo advogado Dorival Assis Júnior e pelo deputado estadual Luiz Fernando Teixeira (PT), a Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp) teria sido utilizada como intermediária na contratação da empresa privada.

A investigação busca esclarecer se o modelo adotado observou as exigências legais para contratação pública.

Mudança de marca manteve a mesma estrutura e levanta debate sobre conflito de interesses

A empresa investigada em São Paulo é a mesma que atualmente atua sob a marca Pax.

Registrada como Paladium Corp Desenvolvimento de Tecnologia Ltda., a companhia promoveu apenas uma mudança de identidade comercial, permanecendo inalterados o CNPJ, a estrutura societária e seus administradores.

A empresa pertence ao empresário cearense David Peixoto e tem como diretor Sandro Caron, ex-superintendente da Polícia Federal e ex-secretário da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará.

A participação de um ex-chefe da segurança pública estadual na direção da empresa que pretende apresentar sua tecnologia ao Governo do Ceará acrescenta um componente de sensibilidade institucional ao processo e suscita discussões sobre eventual conflito de interesses. Isso porque Sandro Caron ocupou um dos principais cargos estratégicos da área de segurança do Estado, mantendo, durante sua gestão, interlocução com órgãos responsáveis pela formulação e execução de políticas públicas de segurança.

Especialistas em governança pública costumam apontar que, em situações envolvendo ex-agentes públicos em posições de direção de empresas interessadas em contratar com o Poder Público, é recomendável que todos os atos administrativos sejam conduzidos com ampla publicidade, fundamentação técnica e mecanismos de controle, de modo a afastar qualquer dúvida quanto à lisura do procedimento. A existência desse debate evidencia a importância do acompanhamento pelos órgãos de controle e pela sociedade.

Questionamentos também alcançaram Paraná e Goiás

No Paraná, a empresa participou da operação tecnológica do programa Olho Vivo, posteriormente alvo de questionamentos envolvendo transparência contratual, acesso a bases de dados sensíveis e cumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) determinou a suspensão de novas contratações relacionadas ao programa enquanto analisa as representações apresentadas.

Em Goiás, a Justiça suspendeu contrato de R$ 304,8 milhões firmado sem licitação entre o governo estadual e a Pax AI para implantação de sistema de videomonitoramento com inteligência artificial.

A decisão atendeu pedido do Ministério Público de Goiás, que apontou indícios de direcionamento na contratação, determinando a suspensão dos efeitos do contrato até nova deliberação judicial.

Demonstração no Ceará ocorre sob atenção

Diante do histórico da empresa em outros estados, a intenção de apresentar sua tecnologia ao Governo do Ceará por meio de uma Prova de Conceito tende a ser acompanhada com atenção por especialistas e órgãos de controle.

O debate envolve não apenas a eficiência das ferramentas de inteligência artificial e videomonitoramento, mas também aspectos relacionados à transparência, proteção de dados, governança, planejamento técnico e observância das regras aplicáveis às futuras contratações públicas.

Caso a demonstração técnica avance para etapas posteriores, eventuais processos de contratação deverão observar os requisitos legais, a ampla publicidade, os princípios da administração pública e os mecanismos de fiscalização previstos na legislação.

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