MDB deixa governo Jorginho Mello após preterição de secretário para vice 

Presidente da sigla em Santa Catarina, Carlos Chiodini, era nome mais cotado para a formação chapa e renunciou ao cargo de secretário de Agricultura

O diretório do MDB em Santa Catarina anunciou, na noite desta segunda-feira (26), que irá deixar a gestão do governador Jorginho Mello (PL) no estado. A decisão ocorreu ocorreu após Jorginho recuar de um acordo feito com o partido e anunciar o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), como pré-candidato a vice-governador em sua chapa à reeleição neste ano. Presidente do MDB catarinense, o deputado federal licenciado Carlos Chiodini (MDB-SC) era o nome mais cotado para a posição. Ele foi o primeiro a renunciar ao cargo que ocupava no governo, como chefe da Secretaria Estadual de Agricultura.

Após o anúncio de Jorginho, na última quinta-feira, o partido convocou uma reunião para deliberar sobre a permanência no governo em um hotel da capital Florianópolis, conforme antecipado pelo GLOBO. Segundo Chiodini, o partido seguirá com independência para avançar na construção de um “projeto próprio” nas eleições deste ano.

O MDB afirmou, em nota pública, que abrirá conversas com outras legendas que compartilhem “dos mesmos princípios, valores e ideais emedebistas”. Segundo interlocutores, a aliança poderia ser formada com o PSD, o União Brasil e o Progressistas (PP). Caso isso ocorra, uma união poderia ser formada em torno do prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), pré-candidato ao governo que se apresenta como o verdadeiro representante da “direita real”.

Ainda conforme orientação do MDB, os filiados ao partido devem se desvincular das funções que exercem na gestão de Jorginho. Além da Agricultura, a sigla tem o comando de outras três pastas: Meio Ambiente, com Cleiton Fossa; Infraestrutura, com o deputado estadual licenciado Jerry Comper; e na Federação do Esporte (Fesporte), com Jeferson Ramos Batista.

“A sigla reafirma que seguirá apoiando, no âmbito do Poder Legislativo, todos os projetos que sejam de interesse do Estado e da população catarinense, mantendo sua postura de responsabilidade institucional, mesmo que esteja se desvinculando do atual Governo”, afirmou o diretório comandado por Chiodini.

Quebra de acordo

Em outubro do ano passado, em entrevista concedida à rádio Jovem Pan, Jorginho havia afirmado que sua chapa seria formado em conjunto com o MDB. A escolha por Adriano Silva, no entanto, pegou de surpresa os representantes estaduais.

— A vice será do MDB, já está tudo encaminhado. Não tem muito estresse. É só esperar um pouquinho. Vamos cuidar do estado de Santa Catarina — disse o governador.

Antes disso, em fevereiro de 2025, a aproximação gerou incômodo entre bolsonaristas correligionários de Jorginho. À época, a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) foi uma das que questionou se o “critério” usado para a escolha teria sido “votar mais com o governo Lula”.

Interlocutores relatam que, ao longo do ano, enquanto a aproximação da gestão com o MDB seguia enfrentando resistência dentro do PL, o desempenho eleitoral de Adriano atraiu atenção. Em 2024, ele foi reeleito no primeiro turno com 78% dos votos em Joinville, a maior cidade do estado. Com isso, passou a receber convites de partidos para uma composição no próximo pleito, entre eles o de Jorginho, oficialmente aceito na noite desta quinta-feira. O anúncio repercutiu positivamente dentro da ala mais bolsonarista do partido do governador.

— Achei uma baita coligação para ganhar no primeiro turno, porque une a direita e estrategicamente impede de se criar um novo movimento de direita em Santa Catarina — disse Zanatta, em um vídeo publicado na noite de quinta-feira. — Fui contra aliança com partidos que aqui em Brasília apoiam o governo Lula e lá em Santa Catarina querem estar no governo. Ou está com o Lula, ou está com a gente.

Fonte: Infomoney 

Compartilhar

Leia também

Entre na conversa