Juiz que liberou saque de R$ 26 milhões na calada da noite ganha aposentadoria

Caso envolve funcionários do extinto BEA e desobediência ao STJ

O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) decidiu, nesta terça-feira (16 de dezembro), aposentar compulsoriamente o juiz Manuel Amaro Pereira de Lima por autorizar o saque de R$ 26,4 milhões a ex-funcionários do extinto Banco do Estado do Amazonas (BEA).

A suspensão do processo, determinada pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ) em agosto de 2020, foi descumprida por Amaro no mês seguinte, na calada da noite.

A punição foi aplicada no âmbito de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) após a constatação de descumprimento de decisão superior.

Durante o julgamento, os desembargadores apontaram intenção deliberada na conduta do magistrado e destacaram o prejuízo: do total liberado, apenas R$ 2,5 mil foram recuperados.

Segundo o desembargador César Bandiera, há “evidência comprovada materialmente da existência de dolo da vontade consciente de levantar esse numerário”.

A proposta de aposentadoria foi acompanhada por 10 magistrados. O relator, desembargador Jorge Lins, votou por punição mais branda, mas afirmou que a decisão de Amaro afrontou a hierarquia do Judiciário.

“Não é um ato de interpretação, é um ato de negação da própria lei processual”, afirmou.

Fonte: BNC Amazonas 

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