Francisco Ernando Uchôa Lima nasceu em Fortaleza em 20 de abril de 1932 e faleceu na mesma cidade em 27 de dezembro de 2021, aos 89 anos. Único cearense a ocupar a presidência nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, foi criminalista de destaque, senador da República, secretário estadual e municipal, conselheiro do Tribunal de Contas do Ceará e membro da Academia Cearense de Letras. Em 2026, seu nome passou a intitular o Troféu Ernando Uchoa Lima, honraria da ExpoDireito Brasil destinada a juristas por trajetórias e contribuições ao Estado Democrático de Direito. A foto que ilustra esta matéria mostra Ernando Uchôa Sobrinho, advogado criminalista de Fortaleza, ostentando o nome e a credibilidade do tio — um elo vivo entre o passado institucional da advocacia e o presente profissional.
Formação e início da carreira
Filho de Luís Alves Lima e Ester Uchôa Lima, estudou no Colégio Lourenço Filho, onde mais tarde foi professor e diretor-pedagógico. Cursou Filosofia (bacharelado e licenciatura) na antiga Faculdade Católica de Filosofia do Ceará e bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará em 1959, com pós-graduação em Criminologia.
Foi orador oficial de todas as turmas de que participou e liderança estudantil de alcance estadual e nacional. Ocupou a presidência do Grêmio Literário Antônio Sales e a direção de entidades como o Centro Estudantil Cearense, a União Brasileira de Estudantes Secundários, o Centro Acadêmico Clóvis Beviláqua e a União Nacional dos Estudantes.
Advocacia criminal e magistério
Considerado um dos mais brilhantes advogados criminais do Ceará, destacou-se especialmente no Tribunal do Júri. Publicou obras como A Palavra e o Tempo, Ação Democrática, Hamlet – Louco ou Simulador?, A OAB e o Judiciário (1995) e Ideias e Perfis (1998), esta última com prefácio de Paulo Bonavides.
Cargos públicos e políticos
Foi conselheiro do Tribunal de Contas do Ceará. Ocupou a Secretaria de Cultura nos governos de César Cals e Adauto Bezerra, a Secretaria da Justiça no governo Gonzaga Mota e a Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Fortaleza. Presidiu o Conselho Estadual de Cultura e o Conselho Estadual de Educação. Participou ativamente da campanha pelo monopólio estatal do petróleo.
Eleito suplente de senador pela Arena em 1970, assumiu o mandato de senador da República em 21 de novembro de 1978, após a renúncia do titular, permanecendo até 1979.
Presidência da OAB
Presidiu a OAB-Ceará nos biênios 1989/1991 e 1991/1993. Em 1993 foi eleito vice-presidente do Conselho Federal. Assumiu a presidência nacional da entidade em abril de 1995 e permaneceu até janeiro de 1998 — o único cearense a ocupar o cargo. Integrante da Comissão de Direitos Humanos, atuou também por dois mandatos no Conselho Nacional do Ministério Público, em vaga da OAB. Era membro honorário vitalício do Conselho Federal e do Conselho Seccional da OAB e sócio efetivo do Instituto dos Advogados Brasileiros.
Distinções e legado institucional
Recebeu a Medalha José Bonifácio (Senado Federal), a Medalha José de Alencar (Governo do Ceará), a Medalha Tomás Pompeu (Academia Cearense de Letras), a Medalha Boticário Ferreira (Câmara Municipal de Fortaleza), a Medalha do Mérito Judiciário do Trabalho (Grande Oficial), a Medalha Advogado Padrão (OAB-CE), a Comenda do Mérito Naval (Comendador) e o Troféu Sereia de Ouro. Ingressou na Academia Cearense de Letras em 27 de novembro de 2012 (cadeira 14).
Após sua morte, a OAB Nacional decretou luto oficial de três dias. Em 2026, a ExpoDireito Brasil instituiu o Troféu Ernando Uchoa Lima em sua homenagem, reconhecendo juristas por trajetórias ligadas à advocacia, à vida pública e à defesa das instituições democráticas.
O sobrinho e a continuidade do nome
Francisco Ernando Uchoa Lima Sobrinho, advogado criminalista com escritório próprio em Fortaleza desde 2018 (Rua Desembargador Leite Albuquerque, Aldeota), carrega o nome e a credibilidade do tio. A imagem que ilustra esta matéria o mostra com um busto dourado — símbolo material do legado que o sobrenome Uchôa Lima representa na advocacia cearense e brasileira.
A importância simbólica desse elo é notável: une o advogado de sucesso do presente ao histórico presidente da OAB Nacional que ocupou e honrou tantos cargos públicos e institucionais. A continuidade do nome, da tradição criminalista e do prestígio construído ao longo de décadas reforça, para a comunidade jurídica, o valor da memória institucional viva.





