Antônio Fagundes revela processo movido por juíza barrada por atraso em espetáculo teatral

O ator Antônio Fagundes afirmou, em entrevista à BBC News Brasil, que está sendo processado por uma juíza que foi impedida de entrar em um de seus espetáculos após o início da apresentação. O artista, conhecido por manter regra rigorosa de pontualidade, defende a proibição como forma de respeitar o público que chega no horário.

A política de pontualidade

Fagundes proíbe a entrada de espectadores depois que o espetáculo começa e não devolve o valor do ingresso nesses casos. Segundo ele, a medida existe para preservar a experiência de centenas de pessoas já acomodadas na plateia.

“Quando começo, tenho 650 pessoas sentadas, e não posso desrespeitar essas pessoas, deixando que dois ou três cheguem atrasados, falando alto, com a lanterna do celular acesa, fazendo a fila inteira se levantar para eles se sentarem”, declarou o ator à BBC News Brasil.

Ele acrescentou que a prática evita que atrasados interrompam a concentração do restante do público e prejudiquem a “mágica” do teatro.

Detalhes do novo processo

De acordo com o relato de Fagundes, a magistrada ajuizou a ação na própria comarca, em uma cidade de aproximadamente 35 mil habitantes. O ator questionou a escolha do foro.

“Estou sendo processado mais uma vez, por uma juíza, que me processou na comarca dela, em uma cidadezinha de 35 mil habitantes”, afirmou. Ele considerou que a situação levanta dúvidas sobre a adequação do local do processo.

Histórico de ações semelhantes

Não é a primeira vez que Fagundes enfrenta processos por causa da regra. Em entrevista posterior, ele afirmou ter sido processado cerca de dez vezes e ter vencido todas as ações.

Em um dos casos mais recentes, a Justiça de São Paulo rejeitou pedido de indenização de R$ 20 mil feito por um casal barrado na peça Dois de Nós, no Teatro Tuca. A juíza responsável considerou que o horário de início e a proibição de entrada após o começo estavam claros no ingresso, configurando regra contratual explícita. O Procon também se posicionou de forma favorável à produção em situações semelhantes.

Repercussão

O episódio gerou discussão nas redes sobre o comportamento do público em eventos culturais e a validade de regras de pontualidade impressas nos bilhetes. Internautas passaram a brincar com a ideia de uma “Lei Antônio Fagundes”, que formalizaria a proibição de entrada após o início de qualquer espetáculo público.

Fagundes, que completa 60 anos de carreira e mantém atividade intensa no teatro e na televisão, reiterou que a prioridade é o respeito a quem se organizou para chegar no horário.

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